segunda-feira, 13 de maio de 2013

Camponês a Camponês


Há algum tempo, experimentos, estudos e projetos agroecológicos têm se apresentado no estado de Sergipe, tendo por resultado trabalhos científicos, núcleos de estudo, pesquisa e redes sociais. Como também a troca do modelo produtivo por parte de alguns agricultores familiares, repletos de experiências inventivas que satisfazem as necessidades de produção, ambientais e sociais. 

Essas experiências exitosas precisam crescer, se desenvolver e se multiplicar, de forma embasada e consistente. Vários são os esforços nesse sentido, ou seja, na tentativa de socializar e disseminar estilos produtivos de base ecológica que restabelecem uma relação harmoniosa entre a agricultura e o meio ambiente, e redesenhem os agroecossistemas por meio dos princípios agroecológicos.

Acredita-se na formação de redes como forma ideal de compartilhar essas experiências, que têm como metodologia a integração de pesquisadores, extensionistas e agricultores num esforço de pensar e praticar o método de socialização e adoção dos princípios agroecológicos, substituindo a convencional transferência de tecnologia.

A estratégia da construção do conhecimento agroecológico em redes, por ser um processo relativamente novo, e de fundamental importância para a transição agroecológica, requer, ainda, estudos e reflexões para elucidar esse método.

A reflexão do seu processo pode proporcionar novas metodologias de ação para extensionistas e pesquisadores, assim como, novas ferramentas que facilitem o empoderamento dos agricultores na construção da agroecologia.

Para tal, torna-se necessário fazer com que o conhecimento construído nas redes e em menor escala, nas experiências locais dos agricultores tornem-se mais visíveis, e até mesmo, evite a sua diluição ao longo do tempo. A sistematização das experiências é, portanto, ferramenta fundamental nesse processo, que além de possibilitar um acervo de técnicas e reflexões teóricas, garante a valorização desse conhecimento para ser disseminado em diferentes regiões, contribuindo com a ampla socialização das experiências em agroecologia construídas localmente, e ainda hoje, retidas em pequenas ilhas de desenvolvimento agroecológico.

A política de desenvolvimento territorial, em Sergipe, possibilitou no território da cidadania Sul Sergipano a formação da rede social de aprendizado, formada por extensionistas, pesquisadores(as) e quinze pequenos agricultores(as) de comunidades e assentamentos pertencentes ao território. Nessa rede se organizam, constroem agricultura de base ecológica e buscam formas de difundir a prática agroecológica e de incorporar seus princípios. O Território Sul Sergipano, que tem sua identidade na cadeia produtiva da citricultura está localizado no bioma Mata Atlântica do Nordeste do Brasil e é um dos quatro territórios rurais de Sergipe sendo formado pelos municípios de Arauá; Boquim; Cristinápolis; Estância; Indiaroba; Itabaianinha; Itaporanga; Lagarto; Pedrinhas; Salgado e Santa Luzia.

Acredita-se que por meio dessa rede a construção do conhecimento agroecológico poderá ser potencializada ao fomentar a sistematização/reflexão das experiências dos agricultores e ao introduzir a metodologia “campesino a campesino”. Esta se baseia na transformação dos agricultores em técnicos extensionistas/pesquisadores que, em linguagem consoante aquela dos que fazem a visita, e tendo vivido a migração do sistema produtivo convencional para um estilo baseado em princípios agroecológicos, convencem pelo seu exemplo e pelo seu amor à terra.

Os intercâmbios apresentam-se como importantes ferramentas na construção do conhecimento agroecológico, visto que, congregam em um mesmo ambiente, sujeitos sociais dispostos a discutir, propor e desenvolver processos de inovações agroecológicas. A junção de agricultores, extensionistas e pesquisadores, fortalece o processo de troca de experiência entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento científico, pautado no objetivo comum de construir novos rumos para o desenvolvimento rural.

Partindo da concepção que os intercâmbios agroecológicos são estratégias de troca de conhecimento que tornam os agricultores sujeitos do seu próprio desenvolvimento, através de processos participativos, coletivos e integradores, fomenta-se uma demanda de aprofundar esse método de forma a entender quais aspectos fazem avançar na construção do conhecimento agroecológico e qual o papel dos extensionistas e pesquisadores nesse processo.

Espera-se com este projeto, contribuir com o processo de sistematização de experiências locais, possibilitando a socialização de tais experiências, refletir sobre as estratégias de construção do conhecimento em redes fazendo uso dos intercâmbios agroecológicos e auxiliar nas metodologias que fomentem a ação dos extensionistas e pesquisadores na construção do processo de transição agroecológica com os sujeitos locais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário